28/12/2017
1
Após a péssima experiência com a
entrada massiva do grupo RELUPO, com apoio dos Fóruns e Redes de Cidadania no
PSOL, a análise mais justa é que aqui houve uma pequena amostra do caráter
geral de todo e qualquer partido eleitoreiro que haja atualmente no Brasil.
Não é uma conclusão individual, não
é generalizar o exemplo menor, é analisar as condições concretas do estado
brasileiro – é um milagre que, de uma mulher morta nasça um bebê sadio. O
estado brasileiro já está morto, e todas análises do próprio movimento estão de
acordo com essa afirmação. Pior que somente morto, entretanto, ele está em
estado de decomposição e o que parecem ser as entranhas se mexendo são vermes
que passeiam pelo cadáver. E quem são os vermes? Quem que se alimenta das
tripas desse estado, senão os latifundiários?
É verdade objetiva que quem é
eleito para representar o estado no Brasil, sobretudo nos interiores,
representam direta ou indiretamente o latifúndio e a corte de parasitas do
país, vende-pátria e antipovo. Qualquer membro legítimo da massa popular
brasileira vê que isso é verdade. Que culpa eles tem? O que mais poderíamos
esperar, que o povo gostasse de ser violentado?
2
A recorrência da venda de voto não
pode ser vista como uma falha individual do popular brasileiro, mas como reação
lógica à realidade. Não é atitude atrasada ou “anti-democrática”, sob análise
materialista, isso nada mais significa que a completa desconfiança das massas
quanto à legitimidade do estado burguês e seus métodos de legitimação do poder.
Como o companheiro Jorge disse, “ano
passado vimos gente vendendo voto de forma mais violenta que antes, à preço de
telhas e tijolos”. O povo não é bobo e sabe suas necessidades.
De certa forma, mesmo não sendo
inteiramente conscientes disso, eles estão somente reconhecendo que “eleição é
farsa”, ou, pra falar como socialistas que somos, “o estado é a mesa de
negociações da burguesia”. Por não ter orientação política, não sabem que o que
estão fazendo é um boicote, pois
vender seu voto – expressão máxima de “poder popular” num estado republicano –
por telhas e tijolos é algo tão absurdo que só é atitude que poderia ser tomada
por alguém que não vê legitimidade alguma no sistema que as próprias classes
dominantes construíram pra legitimar sua dominação e violência. Muito diferente
de serem reacionários, os populares estão avançadíssimos num ponto de vista
revolucionário.
Ora, pra uma revolução acontecer, a
coisa mais importante é que o povo não espere mais nada do estado velho e
esteja completamente determinado a destruir o estado velho e construir um
novo... Se o povo já não acredita no velho estado e o odeia, estamos a meio
caminho andado! Porque não aceitar? Se nossa função for trazer novamente ao
povo a confiança no velho estado, estamos sendo nada além de
contrarrevolucionários da pior espécie!
3
Não somente é uma constatação de
caráter ideológico, mas que respinga na prática objetiva: o movimento funcionou
melhor quando esteve fora da luta partidária. A luta partidária demandou tempo,
energia e recursos que não voltam mais, Os camponeses foram humilhados,
desrespeitados e menosprezados e não é porque foi um partido errado que
escolheram: esse é o caráter geral dos partidos eleitoreiros do país. Claro, na
própria natureza quem vive de se banquetear de carniça são urubus ou bactérias.
Os urubus são traiçoeiros, furtivos e não prestam pra alimentar ninguém (PT,
PCdoB, PSOL, PTB, PDT...) enquanto as bactérias são minúsculas e irrelevantes (PSTU,
PCO, PCB, PPL...). Que queremos com eles? Pra quê legitimar esses carniceiros
do fundo partidário? Nosso dever é de denunciá-los! Do que adianta se
vangloriar de que o movimento nunca precisou de recurso ou apoio de partido pra
existir e depois reconhecer que “deve
haver algo de importante” nesses partidos que justifique que todos façam
frente novamente com esses oportunistas para garantir uma cadeira à mesa da
burguesia?
NÃO DEVEMOS
LEGITIMAR AS ESTRUTURAS QUE A BURGUESIA USA PRA EXTERMINAR CAMPONESES, ÍNDIOS,
QUILOMBOLAS E OPERÁRIOS!
A ELEIÇÃO
NUM ESTADO GENOCIDA COMO O BRASIL É FARSA, TRATEMOS ELA COMO TAL!
O que investiríamos de esperança e
recurso em campanha, que ponhamos em organização de base, que funcionemos nós
próprios como um “estado”, já que já fazemos o papel que o estado deveria estar
fazendo! Ou acham que o povo não se lembra dos projetos de alfabetização,
construção de poço, derrubada de cercas, cantina popular, defensoria pública e
etc.? Retornar à pedir legitimação desse estado putrefato é definitivamente um
passo atrás! Notem que quando os militantes que um dia foram candidatos
disseram das medidas de radicalidade – montar pôsteres contra os políticos
traidores, bloquear entrada de políticos nas comunidades, fechar estradas,
fazer grandes marchas... – para nada disso é necessário estarmos dentro de um
partido. Pelo contrário, qualquer partido nos iria puxar para o centro.
4
Foi dito que precisamos fazer
resistência “lá dentro”. Não precisamos de forma alguma. Provamos ser mais
eficientes fora, e o povo entende isso. O povo odeia a política “oficial”
porque sua noção de política nada tem com a burocracia burguesa. A democracia
de povo é de base, e o democrata do povo é naturalmente um revolucionário. Não
temos lugar lá dentro. Temos mesmo que estar externos para que não confundamos
o popular. Não criticaremos um político ou outro porque somos inimigos de
eleição, mas porque somos inimigos de classe – QUE DEIXEMOS CLARO AO POVO! Se
as eleições são a forma da classe dominante conquistar o poder (ou de se tornar
membro da classe dominante), e o povo visivelmente entende isso, não
confundamos ninguém: “quem é do lado de
lá, é de lá, é de lá”...
Isso entra em contradição com as
próprias medidas expostas por esses militantes. Podem ter certeza absoluta que
montar pôsteres contra candidatos traidores e impedir a entrada de carreatas
politiqueiras nas comunidades são atitudes que vão ser aceitas pelos leigos...
Não porque eles irão entender que “aqueles eram candidatos ruins, esses são os
bons”; mas sim porque eles entenderão nesse ato uma espécie de rejeição da
política “oficial”.
5
Não adianta nos identificarmos como
socialistas só pela metade. O PCdoB do genocida Flávio Dino também se diz
socialista, assim como os patetas do PSOL. Para sermos socialistas devemos agir
como tal, devemos pensar como revolucionários e não reformistas. E a principal
questão para um revolucionário é a questão do poder. Como o povo vai conquistar
o poder? O que fazer? Qualquer ação que gaste energia e entusiasmo para uma direção
que não diga quanto à isso é contrarrevolucionária. Se vemos que o estado
burguês só serve pra massacrar o povo e por isso o povo o rejeita abertamente,
que façamos coro com as massas: que o rejeitamos e construamos o poder popular.
Essa é a forma. Isso que os ditos “socialistas” das siglas várias não fazem, e
isso que deve nos diferenciar.
Nós temos base e capilaridade no
estado do Maranhão. O povo está do nosso lado. Não vamos perder momento de
reorganização e entusiasmo com o mesmo erro novamente; ou no nosso encontro
seguinte virá metade da metade que veio nesse, já que me disseram que hoje aqui
estão em torno de 60 porque muita energia e recursos já tinham sido gastos com
as questões das eleições esse ano. Já somos combativos e uma ameaça ao poder da
burguesia e dos latifundiários sem termos que nos submeter aos ditames de
nenhum partido reformista. Sejamos nosso próprio partido. Leiamos teoria
revolucionária; verdadeiramente revolucionária, e nos constituamos como um
verdadeiro partido do povo. Quem disse que a função de um partido é meramente
receber do fundo público e participar de eleições que não levarão a lugar
nenhum?
Isso é o que o sr. Justo chamou de
“estratégica”, e talvez tenhamos que mudar a nossa para que avancemos. Essa é a
faca que devemos puxar. Mostramos que somos perigosos não através da violência,
mas da adesão do povo ao nosso projeto. Isso mostra que temos algo que eles não
tem – massa. Por isso eles têm de subornar, no melhor dos casos, ou praticar
terrorismo, no pior. Enquanto não entendermos isso, não iremos pra frente.
O povo nunca é atrasado. Os nossos
métodos talvez sejam. Talvez o povo precise de algo mais do que estamos nos
dando a oferecer. Façamos a auto-crítica, ou o povo nos passará pra trás.
Carinhosamente, Daniel Moreno;
estudante universitário e membro dos FeR.
POVO MANDA, GOVERNO OBEDECE!
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