sábado, 30 de dezembro de 2017

Qual o caráter das eleições de 2018? - Crítica de Daniel Moreno

28/12/2017


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Após a péssima experiência com a entrada massiva do grupo RELUPO, com apoio dos Fóruns e Redes de Cidadania no PSOL, a análise mais justa é que aqui houve uma pequena amostra do caráter geral de todo e qualquer partido eleitoreiro que haja atualmente no Brasil.
Não é uma conclusão individual, não é generalizar o exemplo menor, é analisar as condições concretas do estado brasileiro – é um milagre que, de uma mulher morta nasça um bebê sadio. O estado brasileiro já está morto, e todas análises do próprio movimento estão de acordo com essa afirmação. Pior que somente morto, entretanto, ele está em estado de decomposição e o que parecem ser as entranhas se mexendo são vermes que passeiam pelo cadáver. E quem são os vermes? Quem que se alimenta das tripas desse estado, senão os latifundiários?
É verdade objetiva que quem é eleito para representar o estado no Brasil, sobretudo nos interiores, representam direta ou indiretamente o latifúndio e a corte de parasitas do país, vende-pátria e antipovo. Qualquer membro legítimo da massa popular brasileira vê que isso é verdade. Que culpa eles tem? O que mais poderíamos esperar, que o povo gostasse de ser violentado?

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A recorrência da venda de voto não pode ser vista como uma falha individual do popular brasileiro, mas como reação lógica à realidade. Não é atitude atrasada ou “anti-democrática”, sob análise materialista, isso nada mais significa que a completa desconfiança das massas quanto à legitimidade do estado burguês e seus métodos de legitimação do poder. Como o companheiro Jorge disse, “ano passado vimos gente vendendo voto de forma mais violenta que antes, à preço de telhas e tijolos”. O povo não é bobo e sabe suas necessidades.
De certa forma, mesmo não sendo inteiramente conscientes disso, eles estão somente reconhecendo que “eleição é farsa”, ou, pra falar como socialistas que somos, “o estado é a mesa de negociações da burguesia”. Por não ter orientação política, não sabem que o que estão fazendo é um boicote, pois vender seu voto – expressão máxima de “poder popular” num estado republicano – por telhas e tijolos é algo tão absurdo que só é atitude que poderia ser tomada por alguém que não vê legitimidade alguma no sistema que as próprias classes dominantes construíram pra legitimar sua dominação e violência. Muito diferente de serem reacionários, os populares estão avançadíssimos num ponto de vista revolucionário.
Ora, pra uma revolução acontecer, a coisa mais importante é que o povo não espere mais nada do estado velho e esteja completamente determinado a destruir o estado velho e construir um novo... Se o povo já não acredita no velho estado e o odeia, estamos a meio caminho andado! Porque não aceitar? Se nossa função for trazer novamente ao povo a confiança no velho estado, estamos sendo nada além de contrarrevolucionários da pior espécie!

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Não somente é uma constatação de caráter ideológico, mas que respinga na prática objetiva: o movimento funcionou melhor quando esteve fora da luta partidária. A luta partidária demandou tempo, energia e recursos que não voltam mais, Os camponeses foram humilhados, desrespeitados e menosprezados e não é porque foi um partido errado que escolheram: esse é o caráter geral dos partidos eleitoreiros do país. Claro, na própria natureza quem vive de se banquetear de carniça são urubus ou bactérias. Os urubus são traiçoeiros, furtivos e não prestam pra alimentar ninguém (PT, PCdoB, PSOL, PTB, PDT...) enquanto as bactérias são minúsculas e irrelevantes (PSTU, PCO, PCB, PPL...). Que queremos com eles? Pra quê legitimar esses carniceiros do fundo partidário? Nosso dever é de denunciá-los! Do que adianta se vangloriar de que o movimento nunca precisou de recurso ou apoio de partido pra existir e depois reconhecer que “deve haver algo de importante” nesses partidos que justifique que todos façam frente novamente com esses oportunistas para garantir uma cadeira à mesa da burguesia?

NÃO DEVEMOS LEGITIMAR AS ESTRUTURAS QUE A BURGUESIA USA PRA EXTERMINAR CAMPONESES, ÍNDIOS, QUILOMBOLAS E OPERÁRIOS!

A ELEIÇÃO NUM ESTADO GENOCIDA COMO O BRASIL É FARSA, TRATEMOS ELA COMO TAL!

O que investiríamos de esperança e recurso em campanha, que ponhamos em organização de base, que funcionemos nós próprios como um “estado”, já que já fazemos o papel que o estado deveria estar fazendo! Ou acham que o povo não se lembra dos projetos de alfabetização, construção de poço, derrubada de cercas, cantina popular, defensoria pública e etc.? Retornar à pedir legitimação desse estado putrefato é definitivamente um passo atrás! Notem que quando os militantes que um dia foram candidatos disseram das medidas de radicalidade – montar pôsteres contra os políticos traidores, bloquear entrada de políticos nas comunidades, fechar estradas, fazer grandes marchas... – para nada disso é necessário estarmos dentro de um partido. Pelo contrário, qualquer partido nos iria puxar para o centro.

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Foi dito que precisamos fazer resistência “lá dentro”. Não precisamos de forma alguma. Provamos ser mais eficientes fora, e o povo entende isso. O povo odeia a política “oficial” porque sua noção de política nada tem com a burocracia burguesa. A democracia de povo é de base, e o democrata do povo é naturalmente um revolucionário. Não temos lugar lá dentro. Temos mesmo que estar externos para que não confundamos o popular. Não criticaremos um político ou outro porque somos inimigos de eleição, mas porque somos inimigos de classe – QUE DEIXEMOS CLARO AO POVO! Se as eleições são a forma da classe dominante conquistar o poder (ou de se tornar membro da classe dominante), e o povo visivelmente entende isso, não confundamos ninguém: “quem é do lado de lá, é de lá, é de lá”...
Isso entra em contradição com as próprias medidas expostas por esses militantes. Podem ter certeza absoluta que montar pôsteres contra candidatos traidores e impedir a entrada de carreatas politiqueiras nas comunidades são atitudes que vão ser aceitas pelos leigos... Não porque eles irão entender que “aqueles eram candidatos ruins, esses são os bons”; mas sim porque eles entenderão nesse ato uma espécie de rejeição da política “oficial”.

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Não adianta nos identificarmos como socialistas só pela metade. O PCdoB do genocida Flávio Dino também se diz socialista, assim como os patetas do PSOL. Para sermos socialistas devemos agir como tal, devemos pensar como revolucionários e não reformistas. E a principal questão para um revolucionário é a questão do poder. Como o povo vai conquistar o poder? O que fazer? Qualquer ação que gaste energia e entusiasmo para uma direção que não diga quanto à isso é contrarrevolucionária. Se vemos que o estado burguês só serve pra massacrar o povo e por isso o povo o rejeita abertamente, que façamos coro com as massas: que o rejeitamos e construamos o poder popular. Essa é a forma. Isso que os ditos “socialistas” das siglas várias não fazem, e isso que deve nos diferenciar.
Nós temos base e capilaridade no estado do Maranhão. O povo está do nosso lado. Não vamos perder momento de reorganização e entusiasmo com o mesmo erro novamente; ou no nosso encontro seguinte virá metade da metade que veio nesse, já que me disseram que hoje aqui estão em torno de 60 porque muita energia e recursos já tinham sido gastos com as questões das eleições esse ano. Já somos combativos e uma ameaça ao poder da burguesia e dos latifundiários sem termos que nos submeter aos ditames de nenhum partido reformista. Sejamos nosso próprio partido. Leiamos teoria revolucionária; verdadeiramente revolucionária, e nos constituamos como um verdadeiro partido do povo. Quem disse que a função de um partido é meramente receber do fundo público e participar de eleições que não levarão a lugar nenhum?

Isso é o que o sr. Justo chamou de “estratégica”, e talvez tenhamos que mudar a nossa para que avancemos. Essa é a faca que devemos puxar. Mostramos que somos perigosos não através da violência, mas da adesão do povo ao nosso projeto. Isso mostra que temos algo que eles não tem – massa. Por isso eles têm de subornar, no melhor dos casos, ou praticar terrorismo, no pior. Enquanto não entendermos isso, não iremos pra frente.
O povo nunca é atrasado. Os nossos métodos talvez sejam. Talvez o povo precise de algo mais do que estamos nos dando a oferecer. Façamos a auto-crítica, ou o povo nos passará pra trás.

Carinhosamente, Daniel Moreno; estudante universitário e membro dos FeR.


POVO MANDA, GOVERNO OBEDECE!

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